ELES "ANDEM" AÍ
Há pouco, no metro, uma mulher jovem, sentada à janela, lançou um grito dilacerante. Como se lhe tivessem revolvido as entranhas. Depois continuou, calmamente no mesmo sítio, até chegar a estação final, onde saiu e se perdeu no meio da multidão. Estava vestida e penteada de forma absolutamente normal. E contudo, quem estava naquela carruagem percebeu que alguma coisa tinha "estalado" dentro dela.
Cada vez mais avisto gente a deambular pelas ruas, falando com inimigos imaginários que, a atender pelas expressões, os atormentam. Há muitos anos que não via tantos "loucos" na rua.
Isto só dá razão aos que acreditam que a pressão em que o país vive actualmente ou nos catapulta para o bem-estar ou nos matará de fome ou doença.
Para os mais fracos, é certo que não chegará a tempo a melhor das hipóteses.
5 comentários:
É bem verdade! Ainda hoje, quando saí do trabalho, passei por 3 polícias e um ladrão de pistola em punho, às 4 da tarde "Larga a arma, larga a arma - gritavam" Passei o vermelho e saí dali mesmo a tempo, pois passados não mais de 10 segundos, ouvi vários disparos (é curioso como soam diferentes dos filmes). Fiquei triste e mal disposto. Soube depois à noite que também em setúbal, por ocasião de uma explosão num prédio, se lhe seguiram de imediato algumas pilhagens nas lojas circundantes!... Não sei porquê, mas começa a fazer lembrar alguns países da América do Sul...
E a quantidade de gente que grita para dentro de si própria? Dessa não sabemos, mas andam por aí... É preciso uma estrutura interna muito forte para aguentar o mundo em que vivemos sem nos desequilibrarmos. Pelas mais diversas razões.
sou emigra em londres. no metro, vamos sempre em silencio. trabalhamos mtas horas por dia. a noite, nos quartos minusculos, continuamos em silencio. alguns anos assim e o coracao seca. doi pensar no natal em familia em portugal. antecipo uma luta dura contra a provocacao das emocoes.
talvez um dia eu tb grite.
Há uma palavra que os novos terapeutas gostam muito e que eu gostava de partilhar: "resiliência".
A capacidade de resistir aos momentos difíceis.
Não podemos mudar grande coisa, mas gostava de enviar uma mensagem de solidariedade para os que andam por cá e pelo resto do mundo em silêncio por fora. E lembrar que amanhã também será dia.
sabes k há a terapia do grito? faz bem.
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